sexta-feira, 28 de junho de 2013

Padre Cícero o Cangaço e os Coronéis

Analisando bem, o cangaceiro nordestino foi um herói. Frente a uma administração governamental de pouco saber, ignorantes, obedientes as vontades dos coronéis oligarcas, que colocavam as forças policiais composta de assassinos, jagunços perversos na captura dos cangaceiros (1). Os cangaceiros partiram em defesa do povo do nordeste fazendo justiça com suas próprias mãos.   As maldades do capitão-mór  João Carlos Augusto de Oyenhausen-Gravenburg no  período colonial,  que prendia os escravos fugitivos a ferro jogando-os nos sujos porões dos barcos com destino o Limoeiro de  Lisbôa (2), é brandura frente as torturas e perseguições aplicadas pela policia nordestina aos cangaceiros perseguidos pelos  sertões brasileiros. Em 1835, não se respeitava nem o rei.
Oa cangaceiros foram usados pelos Jesuítas e agregados de plantão, como guardas, como servis, para secretamente amealhar bens, riquezas, propriedades, valores.  O Padre Cícero levou o sofrido povo do Cariri de forma cruel, e sorrateiramente fazia-se passar por santo; após sua morte, deixou toda a fortuna acumulada durante sua jornada nas igrejas, e pelo cangaço, para a Ordem dos Salesianos. 

Os governos fracos do Nordeste  se esquecendo que para combater o banditismo seria necessário oferecer ao povo instrução, educação, trabalho organizado, se submeteram ao cangaceirismo e os governos fortes nunca puderam de fato acabar com ele (6). Nos sertões cearenses, pernambucanos, paraibanos, baianos, etc.  As famílias e coronéis, exerciam vinganças terríveis umas contra as outras e suas inimizades não se abrandam com o tempo perpetuam-se   legadas de avós e netos (5)


Analisando, conciliando, a conduta totalmente indiferente do Padre Cícero Romão Batista como representante da doutrina católica,  sem que o povo nordestino tão ingênuo e sofrido o percebesse, levou-os ao fanatismo religioso, semeando a discórdia, pobreza, miséria. Envolveu-se politicamente com indivíduos materialistas suspeitos à Nação. Para conseguirem o poder, contratavam os excluídos cangaceiros para matar, degolar, roubar; -  após suas conquistas, largava-os no abandono como transcrito no pacto dos coronéis. O padre Cícero na sua função de padre, na postura de doutrinador religioso,  armazenou grande fortuna oriunda de arrecadação e doação do cangaço, doações estas ilícitas, proveniente muitas vezes de roubo, assassinatos, que o padre sem contestar aceitou.  Por toda a tragédia ocorrida na luta pelo poder no Juazeiro a meu ver, a herança doada pelo Padre Cícero deveria ser  confiscada e  revertida para construção de hospitais, escolas, moradias populares aos moradores do Cariri e Juazeiro. Foi um grande pecado, a doação dos bens adquiridos que o padre Cícero fez a Congregação dos Salesianos que aceitou, sem restituir aos pobres o fruto de tanto sangue e desgraças. E como prova do materialismo, da ganância, os padres Salesianos ainda expulsaram do Caldeirão os sobreviventes das rajadas de metralhadoras vindo do céu, no grande holocausto no Caldeirão nos moldes do holocausto de Canudos.

O Padre Cícero teve a grande oportunidade de reverter a História do Brasil para melhor. Devido sua conduta de não comprometimento com o povo do Nordeste, a exclusão popular continuou. Os governantes oligarcas quando não praticavam o holocausto nordestino,  expulsavam excluíam o nordestino para outras regiões,  conduzindo-os para fora em pau-de-arara sem qualquer ajuda financeira; -  milhares de nordestinos proibidos que foram, de viverem em seu próprio habitar. Padre Cicero protegia os coronéis e extorquia os pobres usando camufladamente o cangaço e se fazia passar por santo inventou até o milagre da hóstia.

A História do Brasil contada nas salas de aula é mentirosa,  a verdadeira história devemos pesquisar, conciliar e descobrir as causas e os centralizadores oligarcas que enganaram o povo brasileiro, para se perpetuarem no poder.

Gustavo Barroso em Almas de Lama e Aço, narra que em 1819, uma autoridade mandava buscar as cabeças dos indivíduos que, devia prender. Em 1824 um tal Andrade, Juiz de Uruburetama, Ceará, fuzilava pessoalmente os presos. Os quebra-kilos aprisionados eram colocados os coletes de couto molhado que lhes cosiam por cima dos braços.  Ao sol envolvida no corpo, encolhia-se tolhia a respiração deixavam-se cair sem fôlego. As fábricas de cangaceiros foi as policias estaduais composta de indivíduos cruéis, broncos, egressos do crime, fiéis aos coronéis e políticos nos comandos, tendo como lema principal perseguir o pobre e ajudar o rico, inexistindo a justiça nos sertões. (22)

No final do século XVIII os rudes coronéis chamavam o pobre do sertão de cacheado; quando algum deles passava pela sede do governo Coutinho de Montaury que disputava a Vila do Forte hoje Fortaleza, gritava:  -  PEGA! Seus cabelos eram cortados enquanto Montaury gritava: - Vá embora e não deixe crescer outros cachos! Montaury o tenente-coronel português foi um verdadeiro Gessler. (10)

Na Bahia não foi diferente, genocídios e degolas. Os infelizes alfaiates pagaram sozinhos. O sonho antigo e pertinaz das forças ocultas, não se referiam ao povo brasileiro, mas ao povo baiano. Talvez não resistissem aos interrogatórios e revelasse a que mais valia calar.  Há quem desconfie que sabiam demais e precisavam emudecer para sempre(4).  “que alguns homens poderosos se agitavam por traz dos alfaiates e era maçônico o segredo que os unia, (3). Seguiu Francisco Xavier ”vulgo Tiradentes” da Bahia para as Minas Gerais levando as instruções... para acontecer lá também a degola.


Como abordei anteriormente (16,7,8,9 ), as revoltas e holocausto praticados no Brasil, como Canudos, Contestado, Caldeirão, Pau de Colher, e tantas outras, tendo como frente  um povo escravizado e já liberto pela Lei Áurea, sem diretrizes governamentais que lhes oferecesse um ofício. Sem se acharem na condição de liberdade,  sem destino, procurando um refúgio, alguém que os abrigassem. Muitos escravos permaneceram sob o poder e ira dos coronéis, que os usava como seus  cangaceiros  em sua defesa. 

Bárbara de Alencar, a primeira presidente do Brasil. Foi presa em Fortaleza em 1817 por participar de movimentos em prol da independência do País e por ter liderado o movimento que proclamou a chamada República do Crato; -  uma extensão da Revolução Pernambucana que defendia a instituição da República no País.  Bárbara  mulher de muita fibra e coragem, além de defensora do idealismo republicano em um país então governado pela monarquia portuguesa, se casou com o comerciante português José Gonçalves dos Santos, com quem teve quatro filhos, entre eles Tristão de Alencar e José Martiniano de Alencar, pai do escritor José de Alencar. Revolução Pernambucana de 1817, que objetivava a independência do Brasil e a proclamação da República.  Bárbara liderou a frente com seus filhos, José Martiniano de Alencar e Tristão de Alencar  num período em que a mulher não tinha voz, Bárbara Alencar defendeu o Ceará politicamente  mesmo sabendo que iriam acusá-la de contrária à monárquia, subversiva, ou alienada, mulher ousada e porreta!.  Com esta atitude de Bárbara Alencar e seus filhos, Crato foi a única localidade cearense a apoiar a libertação do Ceará em 1817. Bárbara de Alencar, ao lado de seus filhos e outras lideranças, conseguiram mesmo por oito dias proclamar a República do Crato. Chegando o regime monárquico, Bárbara foi presa  pela coroa portuguesa caminhando acorrentada com seus filhos cem léguas que separavam Crato de Fortaleza; - levada para uma minúscula cela subterrânea da Fortaleza de Nossa Senhora do Assunção, localizada à margem esquerda da foz do riacho Pajeú, sobre o monte Marajaitiba, na cidade de Fortaleza(24). Bárbara deixou aos brasileiros  o exemplo de civismo, patriotismo, e a herança literária José de Alencar.

E 1846, se deu origem da separação do Cariri em província independente, com território parte do Ceará e parte de Pernambuco a capital seria a cidade do Crato. O padre Cícero recebeu ordens em 1870, e foi residir no Crato, sua terra natal. No Natal de 1871, convidado pelo professor Simeão Correia de Macedo o padre Cícero visitou Juazeiro pela 1ª. Vez. Em 11 de abril de 1872 com bagagem e família, fixou residência definitiva em juazeiro.  Em 1898 o bispo Dom Joaquim José Vieira nomeou uma nova comissão para investigar os milagres do padre, tendo como presidente o padre Alexandrino de Alencar e como secretário o padre Manoel Cândido. A segunda comissão concluiu que não houve milagre, mas sim um embuste. Padre Cicero foi a Roma  com o Papa Leão XIII. Em maio de 1908 chega no povoado de Juazeiro Floro Bartolomeu da Costa (7). Padre Cícero foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, em 1911, quando o povoado foi elevado a cidade.

Os conflitos entre os políticos e coronéis da região do Cariri tomava rumo incontrolável e as guerras entre as clã rivais tornava-se assustadora. As perseguições eram “ Selvagens contra selvagens”. Os cangaceiros nasceram pela luta na defesa  da vida nas lutas entre os coronéis e na condição de escravos sem ofício como cabras, defendiam-se.  Entra aí o oligarca, o centralizador, o  velho comendador Antonio Pinto Nogueira Accioly que dirigia o Estado, e  convocou o “poder centralizador”  do Padre Cícero. Nasceu então o mais curioso, estranho, omisso, vergonhoso, documento da vida pública brasileira, O PACTO DOS CORONÉIS leia:(8) Ata do puxa-saquismo, a luta de selvagens contra selvagens, a luta de chefe contra chefe. No sertão, o cangaceiro existia em função do coronel e o coronel dominava em função do cangaceiro. Para acabar com o cangaceirismo deveria combater o infame coronelismo que sempre foi terror do nordeste (9)

Mediante o pacto dos coronéis de juazeiro do Padre Cícero,  os cangaceiros foram perseguidos, capturados e decapitados.

A Ata do pacto dos coronéis foi  assinada e convocada pelo Padre Cícero. O padre Cícero do Juazeiro mantinha o poder centralizador de forças, de ideais, numa sociedade simples, inocente, crua, sem embelezamentos, Padre Cícero saiu dos limites traçados pelos deveres religiosos.

A sublevação, revolução, do Juazeiro, em 1913/1914"... o Juazeiro do Padre Cícero o único,  individual povoado do Brasil.  A conspiração de Antônio Luís, primo-irmão do ex-governador Accioly, chefe deposto do Crato, antigo deputado estadual atuante no Vale do Cariri, atuou pelo  favorecimento dos Accioly na  "revolução”. Impediram a ação da assembléia de Fortaleza que daria ao coronel Marcos Franco Rabelo a posse como Presidente do Estado do Ceará. Os opositores orientados pelo senador Pinheiro Machado, liderados pelo Tenente-Coronel Thomaz Cavalcante, coronel João Brígido dos Santos, o jornal “O Utilitário, convocaram uma nova assembléia na cidade de Juazeiro “do Padre Cicero, mencionando o  médico 
Floro Bartolomeu da Costa mentor político do padre Cícero para a Presidência do governo do Ceará. Franco Rabelo sabendo dos fatos manda destruir a cidade de juazeiro e o Padim. Provavelmente pelo jornal a notícia se espalhou, todos os romeiros se deslocaram para Juazeiro para proteger o Padre Cícero e sua cidade. Os romeiros vitoriosos foram conduzidos de trem até Fortaleza através de protesto organizado pelos opositores  para que Hermes da Fonseca decretasse  a deposição oficial de Marcos Rabelo. Foi decretada intervenção Federal no Ceará. “o contra ataque de Juazeiro, não tinha objetivos de livre consciência, não sabiam realmente porque estavam lutando, nada entendiam sobre política. Eram centenas de brutos homens, carrascos e bravios. Não se davam conta que precisavam lutar era contra a oligarquia dominante dos  Accioly. (13)
Os  revoltosos contra a autoridade ameaçavam Fortaleza. O que o sindicato político detentor dos destinos da República exigia era a renúncia do governador. Não tiveram forças para enfrentar,  não concordar com a anarquia colocada por Pinheiro Machado?... Assim, nada pode fazer a Uniãoa destituir Franco Rabelo. Decretado o estado de sítio, para todo o Ceará.

No livro do sanitarista Rodolfo Theophilo, A Sediação do Juazeiro pág. 37: “Chegando ao Rio, os emissários conferenciaram com o chefe do P.R.C., ficando assentada a deposição do coronel Franco Rabelo, deposição que caso não pudesse ser  feita pelos “Marretas de Fortaleza”, começaria por um movimento sediozo em Juazeiro promovido pelo Padre Cícero Romão Batista, e iria sobre a capital do Estado, os três emissários e mais o doutor Gustavo Barroso este foi o único que foi contra á conflagração do Ceará porque amava a sua terra”.
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o sanitarista Rodolfo Theophilo
Em 1922 o lendário padre Cícero Romão Batista, proibiu a realização do cadastro nos domínios da cidade peregrina, que, nessa época, possuía aproximadamente 22 mil habitantes(11)  Nas escolas do Cariri, em 1923, assinalou a espantosa cifra de oitenta e quatro por cento de crianças contaminadas. Escolas houve em que a inspeção encontrou afetadas todas as crianças e mais o professor. A bouba e as moléstias venéreas são outro flagelo de grandes proporções.5 São, assim, os pobres romeiros, em nome de Deus, inconscientes semeadores da dor e da morte...(5)

A revolta levou resultados desastrosos para as finanças  do Estado do Ceará. Juazeiro conseguiu formar o Estado dentro do Estado,  dentro da desorganização provocando sem saberem, a desgraça do povo, a paixão cega pela religião que os levava a  excessos,  refúgio dos criminosos,da falta de justiça. E, eis que Lampião rompe todas as barreiras, e aceita o convite  de Floro Bartolomeu para se incorporar a guerrilha. E confirma a Padre Cícero que aceita o Título de comandante do exército de Floro Bartolomeu(15)

O deslocamento da Coluna Prestes pelo território cearense; a presença de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, em Juazeiro, para receber a patente de capitão. E mesmo antes de ser enganado pelas autoridades, recebendo a patente de capitão e a garantia de anistia para ele e todo o bando, para enfrentar a Coluna Prestes, fato que foi testemunhado pelo seu próprio padrinho o Padre Cícero Romão, sempre manteve um status quo de comandante de um exército, Floro Bartolomeu veio a falecer no Rio de Janeiro; Por incrível que pareça, o médico e revolucionário Floro Bartolomeu foi sepultado no Distrito Federal com honras de herói nacional.  Em 1926  padre Cícero Romão Baptista foi eleito para deputado federal, porém não chegou a assumir o cargo.
Cícero Romão Batista faleceu no dia 20 de julho de 1934, em Juazeiro do Norte, Ceará.
 
No dia 27 de julho de 1938, o bando e Lampião acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Por volta das 5:15 do dia 28, os cangaceiros levantaram para rezar o oficio, e se preparavam para tomar café; quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais foram todos eliminados. Foram traídos. (21).

Em 1921, surgiu o boato de que o boi doado pelo padre Cícero para melhorar a raça do gado local estava sendo adorado pela comunidade. Floro Bartholomeu, chefe militar de Juazeiro, prendeu José Lourenço por 18 dias e matou o boi, num ato denominado por ele de "combate ao fanatismo". Anos depois, o beato enfrentaria outra situação intrincada. O sítio em que a comunidade vivia foi vendido, e o novo proprietário expulsou os camponeses sem qualquer indenização. O padre Cícero encaminhou José Lourenço e seus seguidores à sua fazenda Caldeirão. Se no Baixa Dantas os camponeses perderam o direito à terra e tiveram de sair às pressas, no Caldeirão não foi diferente. Aliás, pior. José Lourenço não era considerado pelas elites do Ceará um simples beato analfabeto e inofensivo, mas um perigoso líder capaz de articular grandes levantes contra a ordem pública. 
No dia 11 de setembro de 1936, as forças do Estado invadiram o Caldeirão. Coturnos de policiais civis e militares entraram marchando, mas não encontraram o beato José Lourenço, que havia fugido para a floresta da chapada do Araripe, onde ficou escondido até o início de 1938. Lá ele tomou o cuidado de não fixar residência, vivendo de forma nômade em construções de palha improvisadas, alimentando-se de frutas silvestres e, por vezes, de gêneros doados por amigos de fazendas próximas. No dia da invasão, porém, o capitão Cordeiro Neto ficou confuso sobre a atitude a tomar diante das mais de 400 casas de taipa. Optou pela devastação: expulsou os moradores, queimou os casebres e entregou parte dos bens ao município do Crato. "A polícia chegou lá e acabou com tudo. Levaram o que havia no armazém, e até as portas da casa do beato" 11 de maio de 1937, centenas de lavradores foram massacrados no Caldeirão, dois aviões, as metralhadoras dispararam, enquanto 200 patrulheiros vasculhavam a chapada. 
Em 1938, José Lourenço retornou ao sítio Caldeirão e ali permaneceu por dois anos, até ser novamente expulso pelo procurador dos padres salesianos, proprietários da fazenda a quem o Padre Cícero deixou como herança. Coitados daqueles povos que confiaram em um padre que não soube doutrinar o pobre povo inocente do nordeste que nele confiou, e desgraças e pobrezas ganhou.


Testamento do Padre Cícero leia: (20): 

Não tenho ascendentes vivos nem tampouco descendentes, e assim julgo poder dispor de meus bens, que livres...(?) ... como ele conseguiu tanto?  Lembrei-me do livro que li sobre o tráfico negreiro (23).
fábrica de relógios cujo prédio é mostrado na foto de propriedade dos padres salesianos a quem o Padre deixou como herança, Funcionava na Rua Padre Cícero. Mestre Pelúsio Correia de Macedo.
“A primeira terra americana em que os salesianos pousaram o pé foi o Brasil. Isto aconteceu em 1875, quando a assim chamada ‘1ª Expedição Missionária’, que Dom Bosco enviou.  Foram recebidos “com extraordinária amabilidade” pelo Imperador Dom Pedro II.  Em 1892 chegaram ao Brasil as irmãs salesianas que se espalharam, gradativamente, por várias regiões. O ano de 1894 foi marcado pela chegada dos missionários em terras mato-grossenses e pernambucanas: Inspetoria Salesiana  São Luis Gonzaga em 1902 abrangendo Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe[8]. ,  Estranho é que o Padim Ciço em seu testamento pede aos Salesianos que construa com a fortuna deixada oriundas dos respectivos cofres da Igreja,  escolas para os pobres e necessitados, Oras, porque o Padim Ciço que convivia com a miséria, a pobreza dos pobres do Cariri e Juazeiro não construiu? Não os orientou? Não os ajudou?. A primeira obra salesiana no Brasil foi o Liceu Coração de Jesus (freqüentado por jovens ricos), criada na capital paulista em 1885. O fundador da Comunidade Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib, em 1978, estudou na instituição quando tinha 12 anos[25] 
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1-Almas de Lama e Aço, Pág.18.
2-Almas de Lama e Aço.,Pág.14.
3-Pedro Calmon “História da Civilização Brasileira”, pág.146.  “que alguns homens poderosos se agitavam por traz dos alfaiates e era maçônico o segredo que os unia, (3)
4-Varnhagen, “História Geral do Brasil”, tomo II, pág. 292
5-Almas de Lama e Aço, pág, 12.
6-Almas de Lama e Aço
7- Muito estranha a presença do médico baiano “a mando de quem?”  Floro Bartolomeu da Costa  Costa natural da Bahia, onde se formou em Medicina,  atraído pelas notícias da existência de minério de cobre nas minas do Coxá, de propriedade do Padre Cícero[?] um caso novo no Juazeiro. E lá estava o doutor, de chinelos de trança e de pijama, habitando um quartinho minúsculo, uma cela, no quintal do padre Cícero. E assim foi sempre. Se o padre queria uma coisa que lhe não ficava bem, com a execução passava a imputabilidade ao doutor, menos escrupuloso, e o povo, sem saber mais distinguir um do outro, obedecia a este como se fora àquele. Tal se deu na revolução de 1913/4.  
9- Almas de Lama e Aço,PAG. 31.
10- Almas de Lama e Aço, pag, 43.
11-11 Em 1922, para a execução do cadastro escolar – um dos pontos centrais do plano da reforma de juazeiro – , Lourenço Filho percorreu o sertão do Ceará, deslocando-se de Fortaleza para o Crato pela Estrada de Ferro Baturité e de automóvel. Já no alto sertão, acompanhado por Antonio de Gavião Gonzaga – médico dirigente da Comissão do Serviço de Profilaxia Rural do Ceará – , Alcibíades Costa, F. Podeus e Elysio Figueiredo, o professor paulista encontrou-se com o lendário padre Cícero Romão Batista, para demovê-lo da decisão de proibir a realização do cadastro nos domínios da cidade peregrina, que, nessa época, possuía aproximadamente 22 mil habitantes. O alto sertão do Ceará, a cidade de Juazeiro e o padre Cícero Romão Batista causaram impacto na mentalidade racionalista de Lourenço Filho, que, tempos depois, analisou a experiência na série de artigos “Juazeiro do Padre Cícero” e no livro Joaseiro do Pe Cícero: scenas e quadros do fanatismo no Nordeste, nos quais configurou uma imagem ruinosa e desarrazoada tanto da cidade e do padre quanto do sertão cearense.2
12-As habitações quase todas se copiam por fora, em muros mal-acabados, despidos, ordinariamente, de qualquer intenção estética, como se parecem no interior, pobríssimo e imundo. Por fora, quase que só as distingue a numeração: um cartapácio com grosseiros algarismos, no geral seguidos das iniciais “P. C.” e de cruzes, signos-de-salomão ou de outros símbolos de uma cabalística rudimentar  Não raro um “Viva o meu Padim Ciço” esparrama-se a carvão pela parede malcaiada, com muito fervor e nenhuma ortografia.
Ordinariamente, não há, nas pobres habitações, nem cadeiras, nem mesas, nem camas. Em nenhuma delas falta, porém, pendurada à parede da sala, a efígie do Padrinho, em reprodução tipográfica, ou numa oleografia em que ele aparece miraculosamente rodeado de anjinhos, que tangem harpas celestiais, entre nuvens de incenso. Junto à gravura, na maioria das casas, ostenta-se um rifle.  Crianças nuas passam correndo, sem gritos nem risos; romeiros acocoram-se à parca sombra da orla das casas, mastigando a sua matalotagem de farinha d’água e nacos de carne de bode, ou “maginando”, com o olhar, fixo num ponto, aparvalhado; porcos fossam montões de lixo, com filosófica paciência; cabritos ensaiam as suas defesas em simulacros de luta, ou retouçam, com berros fanhosos, sob o olhar indiferente das cabras, que ruminam sonolentas; mulheres, sentadas às portas, em saia e camisa, despenteadas, quase todas com a miséria impressa nas faces, dão-se à tarefa de catar insetos à cabeça dos filhos. Numa esquina, um grupo mais animado rodela o “Beato” de prestígio que celebra, ou um “penitente” que profliga os costumes... Aí está o Juazeiro arraial. Vinte mil almas, a que se agrega e de que se despede, cada dia, uma multidão de romeiros.12 É esse o Juazeiro temível, o Juazeiro tradicional, a Meca do fanatismo sertanejo que primeiro depara o viajante, se ele não avisou em tempo o padre Cícero e os de seu grupo, ciosos em ocultá-lo, mas solícitos em mantê-lo - Manoel Bergström Lourenço Filho - Juazeiro do Padre Cícero.
13- Oliveira Viana, Francisco José. Populações meridionais do Brasil. São Paulo, 1920. p. 335.
14- Além do célebre projeto de lei estadual mandando distribuir quatrocentos contos de réis aos fornecedores de alimentos aos fanáticos do padre Cícero durante a rebelião, várias ações foram tentadas contra o estado, pelos prejuízos dela decorrentes. Uma dessas ações, proposta por Antônio Ferreira Figueiredo, acha-se no Supremo Tribunal Federal, à espera de solução. O exercício de 1912 havia deixado um saldo orçamentário de 1.241:576$846. Em 1914, a receita arrecadada pelo estado foi apenas de quatro quintos da receita orçada, tendo sido absorvido todo o saldo e havendo um déficit de 704:732$468(Anuário Estatístico do Ceará, 1922).
15-  “Os bandoleiros chegaram via Barbalha, acoitando-se nas imediações da fazenda do deputado Floro Bartolomeu, até às dez horas da noite, quando se transportaram ao centro da cidade, hospedando-se em casa de um dos tipos sui-generis do Juazeiro, o poeta popular João Mendes de Oliveira, que se intitula jocosamente ‘historiador brasileiro e negociante’. Aí
fomos encontrar o bando sinistro que se compõe de quarenta e nove homens e o famoso facínora, perfazendo um total de cinqüenta homens. Estão muito bem armados e municiados; vestem, na maioria, brim cáqui; trazem chapéus de couro quebrado na testa e lenços de diversas cores, predominando o verde e o encarnado, amarrados ao pescoço. O armamento de cada um é rifle ou fuzil máuser, revólver e punhal; à cintura trazem três ou quatro cartucheiras, acondicionando nelas, cada homem, um total de quatrocentas balas! “As autoridades policiais do Juazeiro quiseram agir à altura das circunstâncias. Tiveram, porém, de recuar dos seus intentos, cedendo à pressão dos ‘segredos da natura...’.
“Não há no vernáculo um adjetivo bastante forte que caustique a abjeção desse fato. A realidade é que Lampião, homem fora da lei, perseguido pelas polícias dos estados do Nordeste, em nome da honra, da família e do sossego público, da propriedade privada e do direito de vida, enfim, dos princípios mais rudimentares da moral coletiva, estava no Juazeiro com a confiança de um cidadão que nada deve à justiça e quase com honra de triunfador” (O Ceará, jornal diário de Fortaleza). O mesmo jornal mandou perguntar ao padre Cícero Romão Batista por que não mandava repelir ou prender Lampião, pois que tinha a seu dispor oitocentos homens, armados e municiados, do batalhão patriótico. E ele respondeu textualmente: “Não, meu amiguinho! Lampião procurou o Juazeiro com intuitos patrióticos (sic!); ele pretende se alistar nas forças legais para dar combate aos revoltosos. Uma vez vitorioso, espera que o governo lhe perdoe os crimes. Este homem que veio ao Juazeiro, confiar em minha proteção, pretende se regenerar. Se não for possível alistá-lo nas forças legais, eu o encaminharei para Goiás, onde levará vida honesta, como já fiz com Sinhô Pereira e Luís Padre. Está mais ou menos demonstrado que os governos de Pernambuco e Paraíba não conseguirão prender Lampião, entregando seu bando à justiça. O povo é sempreprejudicado nestas coisas: é vítima de Lampião e muitas vezes da polícia também... Esse estado de coisas pode ser modificado facilmente: eu consigo que Lampião se vá embora para muito longe, e, assim, ficaremos livres deles. “Porém, mandar prendê-lo aqui em Juazeiro, nestas circunstâncias?! era um ato de revoltante traição, indigno de qualquer homem, quanto mais de um sacerdote católico.“Eu prevejo que muita gente agora e principalmente - Manoel Bergström Lourenço Filho - Juazeiro do Padre Cícero
21- Abraão Benjamim, judeu ou árabe naturalizado brasileiro, chamado de Turcão, o que torna mais difícil saber sua descendência. Ele foi o primeiro e último homem a filmar Lampião. Ele acompanhou os cangaceiros durante 6 meses, nos acampamentos e nas batalhas com as volantes, e são da autoria dele o filme real sobre Lampião e centenas de fotos do cangaceiro, de Maria Bonita e do bando. Benjamim foi assassinado logo após esse trabalho de grande valor jornalístico, com 52 facadas em Vila Bela, por desafetos de Lampião, ou, como queima de arquivo?.
22-  Almas de Lama e Aço, Pág, 54.

23- O Padre Cícero me fez lembrar apontamentos que li pela internet  coincidindo com suas ações, visto no Código Afonsine Livro II, tit.68:  No século XIV e XV, foi conhecido o rápido enriquecimento dos hebreus sefardins que arrendavam propriedades e direitos; eles costumavam arrendar para si as dízimas, as ofertas, e esmolas das igrejas, conventos e capelas, recolhendo-as inclusive, no horário das rezas.
http://historiaesuascuriosidades.blogspot.com.br/2011/11/testamento-de-padre-cicero-na-integra.html
24- http://www.dcomercio.com.br/materia.aspx?id=59561&canal=21 - http://novomundonovo.wordpress.com/2011/01/03/historia-6/
25- http://wiki.cancaonova.com/index.php/Salesianos

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